Todos os anos morrem, aproximadamente, 17 milhões de pessoas no mundo vítimas de doenças infecciosas, principalmente em países menos desenvolvidos. Na foto abaixo, publicado na revista Galileu, mostra os vírus Sars-cov-2 (pontinhos vermelhos) que ataca e matam uma célula humana (estrutura verde). A foto foi tratada por um microscópico eletrônico.
 

O que mais matou seres humanos no mundo foram as doenças infecciosas, mas boa parte da população crê que o que mais matou foram as guerras,  na Segunda Guerra Mundial morreram, aproximadamente, 80 milhões de pessoas, na Primeira Guerra Mundial foram, aproximadamente 60 milhões. Um número muito grande certamente, mas em períodos concentrados de tempo. 

O que continua dizimando grande parte dos seres humanos são os germes. 

Com o esforço mundial em busca de novas vacinas e farmacos mais eficientes, a ciência tem lutado para salvar muitos milhões de vidas, só para ficar em alguns poucos exemplos: O cientista Willian Foege criou a campanha da vacina da varíola que salvou 131 milhões de pessoas no mundo (A vacina foi criada bem antes por Edward Jenner em 1798); Maurice Hilleman desenvolveu mais de 40 vacinas, entre elas, oito vacinas que salvaram 129 milhões de pessoas, John Enders criou a vacina contra o sarampo e salvou 120 milhões de pessoas; Gaston Ramon criou a vacina contra difteria e tétano e salvou 60 milhões de pessoas. Se ficarmos só nestes exemplos aí temos um total de 440 milhões de vidas salvas.

No ano de 2021, quando a vacina contra a Covid-19, desenvolvida em tempo recorde, estava sendo distribuída massivamente no mundo, em torno de 21 milhões de pessoas foram salvas da morte segundo dados da OMS. Poderiam ter morrido 31 milhões de pessoas da doença neste período.  

Apesar dos números paira, mais do que nunca, uma descrença na capacidade da ciência. O negacionismo científico, amplamente disseminado nas redes sociais, diminuiu a predisposição da população para se vacinar. 

A minha cidade, Dourados, Mato Grosso do Sul, que tem uma população de 243 mil habitantes, segundo o Censo de 2022, foi sorteada para ser uma das primeira a aplicar a vacina contra a dengue e poderia aplicar 150 mil vacinas, mas aplicou até agora somente 40 mil. É possível que dinheiro público aplicado na compra dessas vacinas seja desperdiçado, se os lotes restantes disponíveis em nosso município, não forem distribuídos por outras cidades. 

É necessário ressaltar que o negacionismo não é o único culpado, afinal, nossas unidades de saúde fecham a vacinação para almoço, único horário em que a maioria dos trabalhadores poderiam se vacinar. 

Mas o negacionismo continua matando, pessoas de bom nível econômico e escolaridade se negam a colocar "essa coisa de vacina no corpo", preferem a péssima experiência do próprio vírus, com horas e dias de sofrimento com a dor, febre e tremedeira que ele provoca. 

O que estamos colocando no corpo é o resultado de um esforço enorme de pesquisa realizado desde 2009, com mais de 20 mil testes em seres humanos e eficiência, eficácia e efetividade comprovada pelo método científico. A vacina contra a dengue foi desenvolvida a partir da vacina da febre amarela com a modificação genética por meio de inserção das quatro cepas do vírus da dengue, inclusive a hemorrágica, como se vê na figura abaixo, com créditos para artigo científico publicado na revista Pan-Amazônica de saúde (Guy et al., 2011).

O negacionismo disseminado pelas redes é diabólico, antipatriota com o potencial para matar mais pessoas do que ja vem matando. 

 
 
 
Referencias bibliográficas:
 
GUY, Bruno et al . Desenvolvimento de uma vacina tetravalente contra dengue. Rev Pan-Amaz Saude,  Ananindeua ,  v. 2, n. 2, p. 51-64,  jun.  2011 .   Disponível em <http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2176-62232011000200008&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  20  abr.  2024.  http://dx.doi.org/10.5123/S2176-62232011000200008.

REVISTA GALILEU. Imagens mostram coronavírus Sars-CoV-2 "matando" célula humana. Disponível em <https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2020/03/imagens-mostram-coronavirus-sars-cov-2-matando-celula-humana.html>

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Professor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. Doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília. Especialista em Planejamento Público e Turismo Sustentável.